Aquela tarde úmida e nascente soletrava meus passos de pensamento.
Cravei dois seixos em minha pele, naquelas nuvens de momento.
Giravam flores e saias frutíferas, como num imenso e novo carnaval.
Rodei mil vezes em meus sonos mornos, como quem espanta o mal.
Minha vila tinha céu azul e sol de espinhos flamejantes
Qualquer um que me visse caído em cama, não perturbariam-me o instante.
E qual dessas rosas sonho, senão aquela que me pariu o filho?
Penso que somente sopro minha vida, assim como dela faço meu caminho.
De minh`alma colhe o que já apodreceu nos galhos
Certo que não peço nada, nada além de seus frios calvários.
Logo a tenda de meus olhos abre-se numa nova paixão
Saciam sua sede com orvalho e cantam soltas na amplidão.
Não entendo essa gente que me duvida a longa palavra
Sempre têm que ultrapassar sua mente, como se fosse escrava?
Não lhes rogo mal infortúnios, nem lhes desejo sua ausência.
Breve de espanto e resguardado, sugo-lhes apenas a essência.
Tenho frios e pontiagudos dedos, que é para acalmar-me o pranto.
E quando, muita vez, me quedo externo de ser eu... Apenas canto.
Minha margem fulgura minha dormente dor de amante
Olha, pois, pega em tuas mãos depois, sofre logo a dor de adiante!
segunda-feira, abril 14, 2008
quarta-feira, março 26, 2008
Noite
As paredes do estandarte solitário e legionário
São cristalinas minas de pedra-corvo.
Refletem suor e o negrume dos figos estomacais
Em transeuntes acidos e mesquinhos.
Consomem gotas de ódio e álcool
Que entorpecem vis sentidos
Favos de plumas podres, petrificadas
Que dissolvem o sal de seus organismos.
Calotas emborrachadas
Sob o negro véu risonho
Flores do mal em alvos cabelos
Tudo é estante para meu tom de estanho.
Prosas são fim de mim, então trovas.
Libertas vertem berros, querem de perto ser remotas.
Amordaçadas.
Debruçadas em balões estéreis e tristes...
Eu choro, não suporto. Meu sabor apuro.
Água plena de fruto maduro é
Sangue seco de meu cais impuro.
Más revelações vem do fundo: imundo.
Mas esta lua amarela morta
Insiste em sua sequela à minha porta.
Transparente e profundo céu da noite
Onde nada mais importa.
São cristalinas minas de pedra-corvo.
Refletem suor e o negrume dos figos estomacais
Em transeuntes acidos e mesquinhos.
Consomem gotas de ódio e álcool
Que entorpecem vis sentidos
Favos de plumas podres, petrificadas
Que dissolvem o sal de seus organismos.
Calotas emborrachadas
Sob o negro véu risonho
Flores do mal em alvos cabelos
Tudo é estante para meu tom de estanho.
Prosas são fim de mim, então trovas.
Libertas vertem berros, querem de perto ser remotas.
Amordaçadas.
Debruçadas em balões estéreis e tristes...
Eu choro, não suporto. Meu sabor apuro.
Água plena de fruto maduro é
Sangue seco de meu cais impuro.
Más revelações vem do fundo: imundo.
Mas esta lua amarela morta
Insiste em sua sequela à minha porta.
Transparente e profundo céu da noite
Onde nada mais importa.
terça-feira, março 11, 2008
Um encontro
Na esquina da poesia
Encontrei a neve de teu sorriso
Saiba que sorri com tua melodia
Que surpresa, teus olhares agora recito.
Sorri contigo, e sem ti quando sozinho
Me encanta seres livre e novidade
Nego, cem vezes ou mais espinhos
Agora pouco me importa tua idade
Meu sonho, disse o arco de teu abraço
Mesmo era que tal noite vivida
Acordei salvo, e num encalço
Adormeci sob tua chama infinita
Por dentro, sob um vento cortante
O pálio negro esvaia-se clemente
Seu furor era razante. E este verso inocente
Marcou à brasa aquele riso instante:
Cálida manhã ardente.
Encontrei a neve de teu sorriso
Saiba que sorri com tua melodia
Que surpresa, teus olhares agora recito.
Sorri contigo, e sem ti quando sozinho
Me encanta seres livre e novidade
Nego, cem vezes ou mais espinhos
Agora pouco me importa tua idade
Meu sonho, disse o arco de teu abraço
Mesmo era que tal noite vivida
Acordei salvo, e num encalço
Adormeci sob tua chama infinita
Por dentro, sob um vento cortante
O pálio negro esvaia-se clemente
Seu furor era razante. E este verso inocente
Marcou à brasa aquele riso instante:
Cálida manhã ardente.
sábado, março 01, 2008
João e Maria
E João recordou:
- Lembro de meus tempos de juventude, sabes Maria. Me interesso profundamente em penetrar no passado e sair em busca de algum sopro de felicidade.
Maria complementou:
- Menina era eu quando pensava que viveria para ver os grandes ventos de alegria da alma. É de me cortar as esperanças pensar que a vida foi esperando, esperando, tocando em frente o tempo, arrastando seu corpo, e que bons tempos como aqueles morreram.
João mostrou os dentes bondosamente:
- Você continua linda para meus olhos. Para minha alma, sua beleza só aumentou.
Maria dá uma gargalhada fraca, porém divertida:
- E você continua o mesmo galanteador de sempre. Sábio domador de meus amores que tu és.
João pega a mão dela com as suas:
- Que seriam todos esses anos se minha vida, sozinha estivesse sem a tua, minha mulher.
Maria derrama uma lágrima:
- Vida como essa nunca poderá existir. Pois amo-te com o calor de minha própria vida. Estou velha, mas feliz.
João inspira:
- As vezes lamento não poder ser tão belo e esbelto, como tu costumava apreciar.
Maria:
- Ah João, em meu coração tua beleza juvenil sempre há de viver. Tua beleza é tua experiência. Acho-te belo, meu marido.
João ri baixinho e cora:
- Estou apenas logrando. Sou feliz ao teu lado, tú és o refúgio de toda minha alegria, tú és a dona de minhas felicidades passadas.
Maria fecha os olhos e encosta a cabeça no ombro dele:
- E agora?
João cala por alguns minutos, e se adianta:
- Sabes que a hora está cada vez mais próxima.
Maria franze a testa:
- As vezes penso que talvez não esteja pronta.
João:
- Bom, suponho que nunca ninguém ha de se estar.
Maria:
- Agora que o momento está perto, sinto-me um pouco amedrontada. Estamos velhos, João.
João olha em seus olhos:
- Também compartilho de tua dor. Mas não te procupes, estamos juntos. Temos um ao outro, como um cais do porto. Como sempre estivemos em vida.
Maria sorri, olha para o lado oposto, e retorna ao olhar de João:
- Amo-te com todo meu corpo, minha mente. Sabes que agora começo a notar-te integrado a mim, como uma extensão de mim mesma. Sinto-me unida a ti, como meus membros são unidos a meu tronco.
João beija a testa de Maria:
- Tua presença estará sempre aqui dentro. Agora e sempre, para além de meu tempo.
Maria:
- Sabes, sinto que minha hora se aproxima.
João:
- Então morreremos juntos, como uma única vida que se encerra.
E abraçaram-se eternamente.
- Lembro de meus tempos de juventude, sabes Maria. Me interesso profundamente em penetrar no passado e sair em busca de algum sopro de felicidade.
Maria complementou:
- Menina era eu quando pensava que viveria para ver os grandes ventos de alegria da alma. É de me cortar as esperanças pensar que a vida foi esperando, esperando, tocando em frente o tempo, arrastando seu corpo, e que bons tempos como aqueles morreram.
João mostrou os dentes bondosamente:
- Você continua linda para meus olhos. Para minha alma, sua beleza só aumentou.
Maria dá uma gargalhada fraca, porém divertida:
- E você continua o mesmo galanteador de sempre. Sábio domador de meus amores que tu és.
João pega a mão dela com as suas:
- Que seriam todos esses anos se minha vida, sozinha estivesse sem a tua, minha mulher.
Maria derrama uma lágrima:
- Vida como essa nunca poderá existir. Pois amo-te com o calor de minha própria vida. Estou velha, mas feliz.
João inspira:
- As vezes lamento não poder ser tão belo e esbelto, como tu costumava apreciar.
Maria:
- Ah João, em meu coração tua beleza juvenil sempre há de viver. Tua beleza é tua experiência. Acho-te belo, meu marido.
João ri baixinho e cora:
- Estou apenas logrando. Sou feliz ao teu lado, tú és o refúgio de toda minha alegria, tú és a dona de minhas felicidades passadas.
Maria fecha os olhos e encosta a cabeça no ombro dele:
- E agora?
João cala por alguns minutos, e se adianta:
- Sabes que a hora está cada vez mais próxima.
Maria franze a testa:
- As vezes penso que talvez não esteja pronta.
João:
- Bom, suponho que nunca ninguém ha de se estar.
Maria:
- Agora que o momento está perto, sinto-me um pouco amedrontada. Estamos velhos, João.
João olha em seus olhos:
- Também compartilho de tua dor. Mas não te procupes, estamos juntos. Temos um ao outro, como um cais do porto. Como sempre estivemos em vida.
Maria sorri, olha para o lado oposto, e retorna ao olhar de João:
- Amo-te com todo meu corpo, minha mente. Sabes que agora começo a notar-te integrado a mim, como uma extensão de mim mesma. Sinto-me unida a ti, como meus membros são unidos a meu tronco.
João beija a testa de Maria:
- Tua presença estará sempre aqui dentro. Agora e sempre, para além de meu tempo.
Maria:
- Sabes, sinto que minha hora se aproxima.
João:
- Então morreremos juntos, como uma única vida que se encerra.
E abraçaram-se eternamente.
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Um dia pensei
Meu espírito ardente
Defronta-se com o espelho
De minh'alma
Que belamente, de repente
Reflete os dois lados
Da lente de meus olhos.
João Miguel
Defronta-se com o espelho
De minh'alma
Que belamente, de repente
Reflete os dois lados
Da lente de meus olhos.
João Miguel
Nascimento
"Meu coração, caçador de estrelas,
Foi preso numa cruz falena. Nasceu.
Manteve um olhar amedrontado
Sobre as paredes de meu peito.
Por causa de meu coração
Parti o gelo de minha terra natal.
Subi as montanhas de teus seios
E lá vislumbrei a fantasia dos mundos
Que moram do outro lado da janela de meus olhos.
Conheci então meu canto.
Disparei contra o vácuo, era tanto.
Minhas palavras eram fogo, não sei quanto.
Havia um cume ventoso naquelas nuvens.
Soube que ali poderia colorir meu coração-planeta.
Lá sopra um vento de realidade
Mas também uma fina brisa de revolta.
Revoltei-me contra todos os navios do mundo.
De repente, quando virei minhas costas,
Um ponto final encerrou em mim
Aquele rosto suave, e então
Nasci.
João Miguel
Foi preso numa cruz falena. Nasceu.
Manteve um olhar amedrontado
Sobre as paredes de meu peito.
Por causa de meu coração
Parti o gelo de minha terra natal.
Subi as montanhas de teus seios
E lá vislumbrei a fantasia dos mundos
Que moram do outro lado da janela de meus olhos.
Conheci então meu canto.
Disparei contra o vácuo, era tanto.
Minhas palavras eram fogo, não sei quanto.
Havia um cume ventoso naquelas nuvens.
Soube que ali poderia colorir meu coração-planeta.
Lá sopra um vento de realidade
Mas também uma fina brisa de revolta.
Revoltei-me contra todos os navios do mundo.
De repente, quando virei minhas costas,
Um ponto final encerrou em mim
Aquele rosto suave, e então
Nasci.
João Miguel
sábado, fevereiro 09, 2008
Será?
A nossa vida é um sonho e a
lembrança faz a real vida.
O sonho concretizado
Torna-se lembrança.
E a lembrança
torna-se
esque
cida.
lembrança faz a real vida.
O sonho concretizado
Torna-se lembrança.
E a lembrança
torna-se
esque
cida.
Poesia
O poeta devaneia.
Canta ele mesmo para o papel.
Canta seus vícios, suas prudências entorpes.
Mostra-lhe a parte que não
Cabe num simples corpo orgânico.
O que seria mais humano
Que guardar para si o peso de sua insignificância?
Vá. Mostre-a a todos.
Entregue seu amor para o papel
E livre-se do pesar de sua condição.
O homem é limitado,
O papel não.
João Miguel
Canta ele mesmo para o papel.
Canta seus vícios, suas prudências entorpes.
Mostra-lhe a parte que não
Cabe num simples corpo orgânico.
O que seria mais humano
Que guardar para si o peso de sua insignificância?
Vá. Mostre-a a todos.
Entregue seu amor para o papel
E livre-se do pesar de sua condição.
O homem é limitado,
O papel não.
João Miguel
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Poesia
Me pus a falar alto
Nas ruas, às portas asperas
As velhas canções de Havana.
Que diziam o como e quanto
Te olho nos olhos e
Aceito teu olhar. Cálido de desejo.
E assim sou e velejo
Minha raiva e mágoa
Além do deserto de
Teu canto, maior
Tão maior que a imensidão
Da terra e do teu céu, amplo céu.
Me quis aclamar alto
Pelas ruas turvas, pelas curvas
Minha terra de ferro, meu berro errante
Que de ti só deseja que alto, exageradamente alto
Cante!
Nas ruas, às portas asperas
As velhas canções de Havana.
Que diziam o como e quanto
Te olho nos olhos e
Aceito teu olhar. Cálido de desejo.
E assim sou e velejo
Minha raiva e mágoa
Além do deserto de
Teu canto, maior
Tão maior que a imensidão
Da terra e do teu céu, amplo céu.
Me quis aclamar alto
Pelas ruas turvas, pelas curvas
Minha terra de ferro, meu berro errante
Que de ti só deseja que alto, exageradamente alto
Cante!
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